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Dados Informativos 

O azulejo pode ser considerado a expressão mais original da cerâmica ibérica.

Em nenhum país europeu, porém, foi tão empregado,  aperfeiçoado e desenvolvido quanto em Portugal e suas províncias ultramarinas, recebendo influências hispano-mourisca e, depois, ítalo-flamenga.

O Brasil teve um papel preponderante, pois o consumo de azulejos portugueses no séc. XIX foi tão intenso que ajudou a incrementar o desenvolvimento de muitas fábricas portuguesas.

Quando fizeram suas expedições ao norte da África, depois da conquista de Ceuta em 1415, os portugueses se encantaram com a beleza dos azulejos. Dom Manuel (1469-1521) retornou a Portugal fascinado com a visita que fizera a Alhambra de Granada. Para o Palácio Real de Cintra, o Rei importou de Sevilha, grandes coleções de azulejaria, inclusive, para a Quinta de Bacalhoa, em Azeitão.

A partir de 1650, sob a influência da concorrência holandesa até na grande maioria dos desenhos, a decoração ficou mais rica e os portugueses adquiriram total maestria nesta arte, utilizando, inclusive, policromia.

De norte a sul, Portugal é rico em painéis de azulejos que demonstram a qualidade do desenho e das oficinas. Antonio de Oliveira Bernardes criou, com seu filho Policarpo, uma escola especializada nesta arte.

A azulejaria foi influenciada por diversas manifestações artísticas de diferentes culturas, inclusive de toques orientais, chegadas a Portugal pela via marítima. Houve exportação da grande produção de Lisboa para o restante do território continental, para as Ilhas e várias colônias.

A azulejaria desempenhou entre os séculos XV e XVIII um papel muito instigante na arquitetura portuguesa, transformando os espaços, tanto no aspecto arquitetônico, quanto no decorativo.

A diversificação da azulejaria nos finais do século XVII vai, aos poucos, se encaminhando para o desenvolvimento do pré-barroco, com mudanças da policromia para o “azul e branco”, do qual temos aplicação em escadarias, galerias superior de claustro, frontais de altar e salas com silhares de padronagens e albarradas, citando como exemplo, Salvador - Brasil, Funchal - Ilha da Madeira e etc.

Na fase Joanina, até o meio do século XVIII, com a generalização do estilo barroco, os elementos ornamentais proliferaram, principalmente no Brasil, articulando com os azulejos figurativos azuis e brancos, a talha dourada, como no Convento São Francisco – Salvador/BA – o conjunto de azulejaria barroca mais extraordinário existente.

Esta arte tem-se mantido viva até o século XXI, através dos grandes artistas: Almada Negreiros (Hotel Ritz – Lisboa – 1950), Júlio Pomar, Carlos Botelho, Maria Keil, João Abel Manta, o grande Vieira da Silva e Carlos Viseu. No Porto, o pintor Júlio Resende desenvolve sua obra de cerâmica e, em 1985,  realiza naquela cidade, o painel da Ribeira Negra.

A Expo/98 trouxe a intervenção de vários jovens artistas através de projetos em azulejos: Pedro Cabrita Reis, Pedro Casqueiro, Fernanda Fragateiro e Ivan Chernayef com o monumental revestimento do Oceanário de Lisboa.

Estando a arte do azulejo inscrita ou cravada, há séculos, na alma portuguesa, organismos governamentais e/ou empresas privadas incentivam a conservação e restauro, tais como: a Fundação Calouste Gulbenkian (parte do convento da Madre de Deus foi transformada no Museu Nacional do Azulejo); Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (patrocinou maravilhoso projeto de conservação e restauro da Igreja de Santo Antonio do Igarassu, em Pernambuco – BR) e várias outras.

 

 

BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA

 

Azulejos. In: Revista Oceanos nos 36/37.Portugal e Brasil , 1998/1999.


Cem anos de tradição.“O mundo português”. recorte de jornal, 2003.


SANTO, Fundação Ricardo Espírito, e outros.  I
greja de santo Antonio de Igarassu – Memória e Futuro Continuidades Barrocas. Coordenação Geral, Maria João Espírito Santo Bustorff  Silva, 2000.


CRUZ E CAVALCANTI, Antonio de Menezes e Sylvia Tigre de Holanda. O azulejo na arquitetura civil de Pernambuco, século XIX . Metalivros, 2002.


BARADEZ, François. Raízes Luzíadas. “Presença Portuguesa”. in: Uma visão retrospectiva do azulejo em Portugal. Paris.